Sonda da NASA se prepara para um Ano Novo histórico


Sonda da NASA se prepara para um Ano Novo histórico

Objetivo: Ultima Thule, um objeto celestial localizado a 6,4 bilhões de quilômetros da Terra, do qual a sonda New Horizons está se aproximando em alta velocidade para poder fotografá-la na véspera de Ano Novo em um sobrevoo de alto risco. Trata-se do objeto mais distante que já foi estudado e com sua captação a NASA celebrará sua entrada em 2019, transmitindo o momento ao vivo em seu site (www.nasa.gov/nasalive) a partir do momento em que a New Horizons passar sobre esta relíquia gelada nos confins do Sistema Solar. Um filme de animação simulará o voo da sonda, previsto para esta terça-feira às 00H33 local, horário de Washington e 03H33 de Brasília, com uma canção composta para a ocasião pelo guitarrista do Queen, Brian May, que também é doutor em astrofísica. Será impossível, no entanto, ter imagens ao vivo da sonda, já que a essa distância são necessárias mais de seis horas para que um sinal da Terra alcance a New Horizons e outro para que retorne. Mas se tudo correr bem, as primeiras imagens de Ultima Thule chegarão à Terra no início da noite do primeiro dia do ano. À medida que a hora se aproxima, o entusiasmo aumenta entre a equipe da missão: “É isso aí! O voo está em andamento! @ NewHorizons2015 está em forma e a caminho! A expedição mais distante da história! “, comemerou o cientista Alan Stern no Twitter.

– ilha distante –

O Ultima Thule se encontra no Cinturão de Kuiper, um vasto disco da época da formação dos planetas que os astrônomos às vezes chamam de “sótão” do Sistema Solar. Os cientistas não sabiam da existência deste cinturão até os anos 1990. Fica a cerca de 4,8 bilhões de quilômetros do Sol, mais longe que a órbita de Netuno, o planeta mais afastado do astro. Este cinturão “está literalmente repleto de bilhões de cometas, milhões de objetos como o Ultima Thule – que se chamam planetesimais, os elementos a partir dos quais se formaram os planetas – e um punhado de planetas-anões do tamanho de um continente, como Plutão”, explica Alan Stern. “Isto é importante para nós na ciência dos planetas, porque esta região do Sistema Solar, longe do Sol, conserva as condições originais de 4,5 bilhões de anos atrás”, acrescenta. “Desse modo, quando voarmos sobre o Ultima, poderemos ver como eram as coisas no início”.

– Muito rápido, muito perto –

A nave espacial New Horizons viaja pelo Universo a uma velocidade de 51.500 km/h, ou cerca de 1,6 milhão de quilômetros por dia. A essa velocidade, se colidir com um objeto tão pequeno como um grão de arroz, a sonda pode ser destruída. Mas se sobreviver à viagem, a nave tirará centenas de fotos de Ultima Thule, com a esperança de revelar sua forma e sua geologia. A New Horizons enviou imagens impressionantes de Plutão em 2015, algumas das quais mostraram uma forma de coração na superfície do planeta nunca vista até então. Desta vez, “tentaremos tirar fotografias com uma resolução três vezes maior do que a que tínhamos para Plutão”, diz Stern. Mas o sobrevoo “requer uma navegação extremamente precisa, muito mais do que a que experimentamos antes. Talvez cheguemos, talvez não”.

– Respostas –

O Ultima Thule foi descoberto pelo telescópio espacial Hubble em 2014. Os cientistas notaram em 2017 que o Ultima Thule não é esférico, mas possivelmente alongado. Inclusive poderia se tratar de dois objetos. Esse corpo, além disso, não projeta a luz que os cientistas esperam ver em um objeto em rotação, o que gera muitas perguntas. Pode ser que esteja rodeado de poeira cósmica ou de pequenas luas, por exemplo. A agência espacial americana espera que a missão forneça respostas. As primeiras imagens devem chegar na tarde de 1º de janeiro e ser publicadas no dia seguinte. Embora não seja possível transmitir imagens ao vivo a esta distância, a Nasa planeja uma transmissão ao vivo durante o sobrevoo, com a trilha sonora de Brian May. “Reunir estes dois aspectos da minha vida, a astronomia e a música, foi um desafio interessante”, explicou o ex-companheiro de banda do cantor Freddie Mercury. Alan Stern espera que esta missão não seja a última para a New Horizons, lançada pela Nasa em 2006. Os cientistas pretendem caçar outros artefatos do Cinturão de Kuiper e “sobrevoar após 2020”, segundo Stern.